Avançar para o conteúdo principal

Reconhecer a mestria

(Luís Novaes Tito)

Primeiro conheci-lhe a voz, depois os feitos e só após a Revolução vim a conhecê-lo pessoalmente.

Trabalhei com ele no seu Gabinete quando foi Secretário de Estado do Emprego, no VI Governo Provisório e como seu Secretário Pessoal quando, no I Governo Constitucional, foi Secretário de Estado da População e Emprego.

Ao ser eleito Presidente da Assembleia da República, Manuel Tito de Morais nomeou-me como seu adjunto, a quem ele apelidava do seu jovem de confiança pessoal e política. Partilhei com ele todas as cumplicidades e com ele trabalhei, sempre, mais de doze horas por dia.

Do Tito, Senhor Presidente, guardo imagens que me marcaram toda a vida e do seu exemplo fiz o meu padrão político.

Naquilo que alguns apelidavam como teimosia, identifiquei sempre determinação. No que outros diziam casmurrice, sabia-lhe eu integridade moral, política e cívica. No que ainda outros caracterizavam por intransigência via-lhe rectidão, coerência e insubmissão.

Manuel Alfredo Tito de Morais era notável pela sua capacidade de trabalho, pelo profissionalismo, pelo sentido do dever e, principalmente, por nunca se deixar deslumbrar pelo poder ou pelas honrarias. O seu slogan "antes quebrar que torcer" fazia dele um incorrupto puro onde nem o dinheiro ou o poder geraram qualquer apetência inconciliável com o seu percurso, naquilo que ele designava por ética republicana.

Homem corajoso, afável, com um humor fino e sagaz.

Homem de pensamento limpo, de visão e estratégia brilhantes, o que lhe permitia antecipar cenários e preparar-se para eles.

Recordo sempre Tito de Morais com o carinho que me merecem aqueles que considero mestres de vida.

Ao longo do tempo de vida deste Blog não me faltarão oportunidades para relatos e episódios. Assim não me falhe a memória para os poder recordar.

Imagem: Assinatura do Livro de Honra do Navio-escola polaco. (1983)

Luís Novaes Tito

© CCTM (17)

Comentários