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Mensagens

A mostrar mensagens de dezembro, 2009

Resistência

Manuel Tito de Morais Fichas da PIDE © CCTM (48)

Memória não-virtual

O Leonel Vicente terminou, no repositório do Memória Virtual , mais uma das suas resenhas anuais das actividades da blogosfera portuguesa com um apontamento onde homenageia Jorge Ferreira . O Leonel Vicente é o blogger português que mais atenção dedica, há anos, a esta actividade e nunca é demais referi-lo como um dos elementos desta comunidade (ou destas comunidades, como quiserem) que deixa ficar registo para que um dia se venha a ter consciência do que representou e como se desenvolveu a forma mais democrática de comunicar nos finais do Século XX e inícios do Século XXI em Portugal. Diz-nos o Leonel que em 2009 só levou esta aventura para a frente por sentir que era uma acção feita em memória de Jorge Ferreira . Ficamos-lhe gratos duplamente. Por o ter feito e pela razão que o levou a fazer. © CCTM (47)

Um homem frontal

Conheci Tito de Morais, em Paris, era eu ainda jovem, numa situação que não mais esquecerei. No começo dos anos 70, o António Macedo, o Zenha e eu fomos ter com o Mário Soares, então no exílio. Ao chegar a Paris, de comboio, dado que o Zenha e o Macedo seguiam por precaução, em aviões diferentes, o Mário Soares disse-me que tínhamos de ir ao encontro do Tito de Morais porque ele tinha chegado de Itália, onde vivia, e entrar clandestinamente em França, País de onde tinha sido expulso. Ir conhecer pessoalmente um homem do qual já tinha ouvido falar muitas vezes e que por razões políticas tivera de fugir do seu País e ser expulso de outro, o qual eu tinha como o berço da liberdade, excitava-me a curiosidade. Adorei conversar com ele e não mais esquecerei a sua imagem quando me acompanhou até à estação de Paris para o meu regresso a Portugal. Ainda hoje retenho com precisão e alguma emoção, o olhar fixo, o gesto calmo e aquele sorriso simpático do Tito agarrado à minha mão a dizer-me – fa...

Objectivos da Comissão Executiva

A Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais tem por objectivo promover, em Junho de 2010, na semana de 28, dia em que Manuel Alfredo Tito de Morais faria cem anos, um conjunto de acções que convoquem a memória para os princípios de um dos homens que, no Século XX, foi um dos maiores impulsionadores do regresso de Portugal à democracia europeia e um dos lutadores para que todos os cidadãos tivessem as mesmas oportunidades e pudessem expressar-se e agir em liberdade. De entre todas as acções que estão abarcadas no programa elencam-se as mais relevantes: - Constituição de uma Comissão de Honra; - Sessão solene na Assembleia da República (AR); - Edição de uma brochura biográfica (AR); - Emissão de um selo comemorativo (AR/CTT); - Sessão evocativa no Grémio Lusitano (GOL); - Sessão evocativa na Fundação Mário Soares; - Exposição sobre a vida Tito de Morais no Museu da República e Resistência; - Edição de uma fotobiografia; - Realização de um documentário sobre a v...

Memória

No passado dia 14 de Dezembro, 10º aniversário da morte de Tito de Morais, reuniram-se no cemitério da Guia, em Cascais, um grupo de familiares, amigos e outras entidades para fazerem a evocação do fundador do PS. O Partido Socialista fez-se representar pelo seu Presidente, António Almeida Santos , que proferiu uma pequena intervenção na sequência da evocação feita pelo neto do homenageado, Manuel Tito de Morais Oliveira . Manuel Alegre e Pezarat Correia fizeram os elogios finais. © CCTM (44)

Nota biográfica

Em Abril de 1991, Maria José Gama entrevistou Manuel Tito de Morais para fazer o registo da sua nota biográfica, a mais completa até hoje conhecida. Este trabalho já foi publicado no Acção Socialista (link indisponível)  por duas vezes, em 9 de Maio de 1991 e em 6 de Janeiro de 2000, e no número especial do Portugal Socialista (link indisponível) que foi editado em Outubro de 1996, por ocasião da Homenagem Nacional que lhe foi prestada. Trata-se de um documento único que nos revela muito do percurso de um dos principais obreiros da criação do Partido Socialista. É uma peça fundamental para o conhecimento de uma personagem essencial do processo democrático português no Século XX. © CCTM (43)

Depoimento

O Tito é um dos últimos cavaleiros da Utopia. Nascido com a República e educado no culto dos seus valores essenciais – Liberdade, Igualdade, Fraternidade – manteve pela vida fora a mesma firme e serena postura de quem acredita no futuro e sabe, por isso mesmo, que o socialismo é uma conquista permanente, um acto incessante de amor. Homem de convicções e de fidelidades assumidas, fez do Partido a principal motivação da sua vida. Nunca se bandeou com o adversário, nem cedeu aos ventos ditos dominantes. E foi, justamente, nos momentos mais difíceis, tanto antes como depois do 25 de Abril, que o Tito personalizou a esperança e nos revelou a sua fibra de lutador intemerato pela causa do socialismo democrático. É um exemplo de dedicação, de generosidade, de coerência. É um verdadeiro homem de esquerda. Dizem que em política não há memória nem gratidão. Esta homenagem vem provar o contrário. Há figuras que deram ao Partido o rosto e a alma que ainda hoje, apesar de tantas vicissitudes, o ide...

Augusto Tito de Morais

"Deparei-me hoje com um blogue de homenagem a Manuel Tito de Morais , um dos fundadores do Partido Socialista, no 10.º aniversário da sua morte. Nele, Pedro Tito de Morais recorda, entre outros familiares, o seu tio Augusto Tito de Morais , também já falecido, professor catedrático do Instituto de Medicina Tropical, médico da Organização Mundial de Saúde que, nessa qualidade, viajou pelas sete partidas do mundo". Rui Baptista Ler o post em de Rerum Natura © CCTM (41)

É a hora!

(...) "E se estou a recordá-los é tão só para situar o clima favorável ao Governo de Salazar que existia na Europa anterior ao exílio dos Líderes da ASP. O primeiro a ser empurrado para o exílio foi Ramos da Costa , na sequência do seu envolvimento no golpe de Beja. Instalou-se em Paris, no ano de 1961, onde começou a desenvolver uma intensa actividade de publicista em jornais e revistas, participando em reuniões internacionais, denunciando a situação que se vivia em Portugal. Em 1966 foi a vez de Tito de Morais mudar-se para Roma, vindo da Argélia, depois de ter passado pelo Brasil onde foi parar após ter sido expulso de Angola. E por todos estes países Tito de Morais fundou movimentos de luta contra o regime fascista. Esta mudança de Tito Morais para Roma foi uma decisão política para representar a ASP em Itália com o apoio do Partido Socialista Italiano. E foi aqui que Tito de Morais começou também a desenvolver contactos internacionais que se revelaram de enorme importância....

Exílio italiano

Por ocasião do 10° aniversário do falecimento de Tito de Morais, antigo militante e cofundador do PS como também Presidente da Assembleia da República, tenho o prazer de remeter a esta Comissão as anexas fotos que remontam à Primavera do ano de 1970. As fotos em questão foram tiradas no extremo norte da província de Viterbo, quando do exílio italiano do destacado anti-salazarista português, com quem privei, já em sua residência romana de Via Catania, momentos de agradável convívio, acompanhados de interessantes trocas de impressões sobre a situação portuguesa daquela época. Gabriel Brustoloni Roma, Itália (recebido por email em 2009.12.14) © CCTM (39)

P'ró ano em Portugal!

A festa do fim do ano de 1973 reuniu em Lausanne: Mário Soares, Maria Barroso, Manuel Alfredo Tito de Morais, Maria Emília, além da família anfitriã Teresa, Jaime e os seus filhos Carlos e Rita. À época, Mário Soares e Tito de Morais eram dirigentes socialistas no exílio que tinham assinado, dias antes, provavelmente em Paris, um manifesto com a Direcção do PC, que apontava no caminho de uma unidade de esquerda tipo Frente Popular. O Partido Socialista Português já tinha sido constituído, em Abril desse ano, na cidade alemã de Bad Munstereifel. Como em todas as passagens de ano era obrigatório: a abertura da garrafa de espumante, as passas e o bolo. Os votos e os desejos tinham os olhos postos no regresso a Portugal e no derrube da Ditadura. As ilusões da "primavera Marcelista” tinham chegado ao fim. “Para o ano em Portugal”, voto repetido ao longo de tantos anos de exílio, tornou-se uma realidade. É hoje, com saudades, que relembro esse dia e muitos outros mais passados no exílio...

Por cá, na conquista de direitos

Carga sobre o Congresso da Oposição Democrática Aveiro, 8 de Abril de 1973 © CCTM (37)

Lembranças

Hoje, que passam 10 anos sobre o falecimento do meu Pai, alguns amigos e família estiveram no cemitério de Cascais a prestar-lhe homenagem, veio-me repetidamente à memória uma história passada em Roma. Eu estava a fazer os meus trabalhos de casa, estava na primária e tinha algumas dificuldades com os números, enganava-me sempre entre o " sessanta e o settanta"  (60 e 70) isto na sala de jantar numa mesa de jogo que estava a uma ponta da sala, do outro lado, na mesa de jantar, estava o Mário Soares a escrever artigos para o “Portugal Socialista”. O meu Pai andava de uma mesa para a outra, tal qual um professor a ajudar e corrigir um e outro. Foram episódios como este que marcaram a minha vida e foi com os exemplos do meu Pai que me formei como homem. Recordo com muita saudade esses tempos, em que apesar da política e das dificuldades ele tinha sempre um momento para me ajudar, para estudar comigo, para conversar e me mostrar as realidades da vida. Hoje, como há 10 anos, não p...

Manuel Alfredo Tito de Morais

Manuel Alfredo Tito de Morais Autoria: Pinheiro de Santa Maria (1998) © CCTM (35)

Memória

No dia 14 de Dezembro , 2ª feira, cumprem-se dez anos da morte de Manuel Tito de Morais.  A família e a CCTM, com a colaboração do Partido Socialista, prestam-lhe uma homenagem às 13:00 horas , no Cemitério da Guia, em Cascais , junto ao jazigo onde se encontra.  Pedimos a todos que compareçam e avisem outras pessoas. © CCTM (34)

Constitucionalismo

Manuel Tito de Morais, Presidente da Assembleia da República Mário Soares , Primeiro-Ministro Mota Pinto - Vice-Primeiro-Ministro Sessão solene com Felipe González (1983) © CCTM (33)

A ternura da solidariedade

Antes de conhecer o Eng. Tito de Morais, conheci os seus pais, D. Carolina e o Sr. Almirante, na sua casa na Av. Defensores de Chaves nº. 27. Assisti aos preparativos da sua chegada de Luanda, sob prisão, e recordo ainda hoje a sensação que tive quando o vi, pela primeira vez, com o seu ar terno, mas ao mesmo tempo distante, que me parecia ser como o dos príncipes. Estivemos várias vezes juntos, nesses tempos tão duros, mas ao mesmo tempo tão solidários… Lembro-me dos dias de Verão passados na Ericeira com as suas filhas Luísa e Teresa, dos belos pequenos-almoços de ovos mexidos e chocolate quente, que ele próprio preparava. Lembro-me do dia em que a Luísa fez 18 anos e da sua satisfação em lhe proporcionar uma Festa que, para nós, foi o que se diz agora 'o máximo'. Mais tarde, voltei a estar com ele, em Paris, em casa do seu amigo Câmara Pires, rodeado de dirigentes do MPLA, fugidos das cadeias da PIDE, em Angola. Depois, ele partiu para o Brasil e eu fui para Londres, com a s...

A falta que Raquel também faz na CCTM

Maria Raquel dos Reis Rodrigues (1936.08.08 - 2009.11.03) Falar de Raquel Reis é extremamente difícil, pois será utópico pensar retratá-la plenamente, em virtude do seu extenso e rico currículo. Muito empreendedora, objectiva e determinada, a investigação científica foi a sua grande paixão. Carreira que abraçou com brilhantismo. Possuidora de uma inteligência de elevado nível e de inúmeras capacidades, era uma pessoa especial e multi-facetada. Estudar era o seu maior prazer. No entanto soube, na perfeição, gerir o seu tempo, entre a docência, a política – como militante activa do PS –, a família e o convívio entre os amigos, que gostosamente cultivava. Órfã de mãe aos 15 anos, aprendeu com este rude golpe que, para vencer as agruras no advir dos seus dias, teria de ser forte. Sentimento que sempre a norteou. Jamais fraquejou perante as adversidades e dificuldades que, inevitavelmente, lhe surgiram ao longo da vida. Corajosa e conscientemente contornava as situações e lutava com veemênc...

Estórias [ III ] - Momentos de recordação, contra o esquecimento

Foi em 1980 que conheci Tito de Morais. Fizemos a campanha da Frente Republicana e Socialista . Recordo que fazia parte de um grupo com o Mário Beja Santos também do PS e o António Fontes da ASDI , que só apareceu para um almocito, sendo que eu representava a UEDS . Pertencia ao grupo minoritário dessa curiosa organização, era membro da comissão política e embora por razões formais tivesse recusado ser candidato tinha participado na comissão do programa da FRS e empenhei-me activamente na campanha. Com Tito de Morais fiz porta a porta, estive nalgumas fábricas e participei em sessões de esclarecimento. Almocei e jantei algumas vezes com o grupo, a que se juntava de vez em quando algum militante socialista e sempre o motorista. Ficaram-me momentos que recordo. Na porta de uma fábrica assumira o meu lado esquerdo e distribuía os documentos com o Tito de Morais muito sisudo, pois não, com a ladainha “ Contra os contratos a prazo, vota FRS ”. Ao almoço sem hostilidade explicou-me o disp...

Afectividade

Manuel e Maria Emília Tito de Morais Azulejo do portão da casa de Manuel Tito de Morais na Terrugem Este terreno não era murado © CCTM (29)

Estórias [ II ] - Fantástico

Naqueles idos de 1983, a conferência diária para marcação de agenda fazia-se a partir das oito da noite. Tito de Morais , Presidente da Assembleia da República, pedia à Marinela que lhe levasse dois cafés, um para ele e outro para mim que avançava com a pasta de despacho recheada com dezenas de pedidos de audiências, solicitações de presença em acções e eventos diplomáticos ou sociais. Na rotina, depois de preencher as horas da agenda com as actividades parlamentares de maior relevo, plenários, conferências de líderes, conselhos administrativos, etc. passava-se ao corpo diplomático e às restantes solicitações. Era uma parte do dia de trabalho que me dava especial gozo pelos comentários e apreciações quase sempre bem-humorados nas situações de maior originalidade e na distribuição dos encargos de representação pelos vice-presidentes, Fernando Amaral , José Luís Nunes , Basílio Horta e José Vitoriano . Naquele dia, o convite mais estranho que levava na pasta era para uma deslocação ao C...

Democracia

Manuel Alegre, Manuel Tito de Morais e Mário Soares © CCTM (27)

Obrigado, Manuel Tito de Morais

Numa Lisboa entontecida pela liberdade conquistada, conheci o camarada Tito de Morais. Na Sede de S. Pedro de Alcântara. Logo nos primeiros dias de Abril, no princípio daquele Maio impregnado de um cheiro forte de cravos redentores. Apesar de chegado na primeira leva de exilados no Brasil, naquele 1º de Maio mágico e indescritível, apesar de já me saber amigo do seu filho João, mesmo assim, mediu-me, avaliador, cioso de gente boa para o Partido. Mais tarde visitei-o no seu apartamento do Arco do Cego, onde só se respira PS. A Maria Emília recordava-se do meu nome por uma mensagem que eu tinha enviado do Rio de Janeiro para Argel, nos idos de 61 ou 62. O primeiro laço, no exílio. Na sua casa, onde me recebeu tantas vezes, não me lembro de um só dia, de uma só noite, onde não puxasse conversa sobre o PS. O que mais me emociona na figura de Tito é essa extraordinária dedicação a uma causa, a da liberdade e do socialismo, só é possível de defender, na sua perspectiva, através de um PS for...

Mário Soares

  Parabéns,  Mário Soares © CCTM (25)

Tenacidade, coerência e teimosia

O Manuel Tito de Morais é a pessoa mais teimosa que conheço. Não se interprete mal este qualificativo. No essencial, a sua teimosia traduziu-se quase sempre numa vida de combate tenaz pelos ideais do socialismo e da liberdade. Sem cedências ou compromissos, mesmo aqueles que a generalidade dos dirigentes considerou razoáveis ou necessários. Conheci o Manuel Tito em 1971 ou 72, suponho que em Amesterdão. Na véspera de uma reunião da Acção Socialista Portuguesa, Mário Soares avisou-me do pedido de demissão de Tito de Morais de responsável pelo Portugal Socialista. A razão era simples: O Tito queixava-se de falta de colaboração dos militantes do interior do País no envio de artigos. Creio que não fui muito convicto na promessa de que tudo mudaria na participação do interior do jornal, mas depressa percebi que a última coisa que ele faria era demitir-se ou desistir. Creio que o Tito nunca se terá demitido de nada. Tenho a certeza de que não terão sido poucas as vezes que ele discordou pro...

Memória

No próximo dia 14 de Dezembro passam 10 anos sobre a morte de Manuel Alfredo Tito de Morais . A CCTM está a promover uma acção que marcará a data com a evocação da memória, no cemitério de Cascais, junto à placa onde é recordado o percurso de Tito de Morais. A evocação, de que daremos notícia com mais pormenor neste Blog , terá lugar no dia 14 pelas 13:00 horas. © CCTM (23)

Liberdade

Chegada a Santa Apolónia, em 1974.04.27, de Ramos da Costa ,  Manuel Tito de Morais e Mário Soares Imagem: Santa Apolónia 27 de Abril de 1974 - Ramos da Costa, Tito de Morais, Magalhães Godinho, Mário Soares e Palma Inácio © CCTM (22)

Camarada Tito

Há nele uma nobreza e uma inteireza antigas. E dele se poderia dizer, como Sá de Miranda: “Homem de um só rosto e de um só parecer”. Homem que nunca quebrou nem torceu: nem na cadeia, nem no exílio, nem nas horas mais duras e amargas de uma vida cuja história se confunde em grande parte com a história da resistência anti-fascista e do combate pela instauração da Democracia em Portugal. Antes e depois do 25 de Abril. No MUNAF, no MUD, nas campanhas de Norton de Matos, e de Humberto Delgado, na luta clandestina e revolucionária, nos movimentos de unidade antifascista e nas múltiplas iniciativas que haveriam de conduzir, primeiro à Acção Socialista Portuguesa, depois ao partido Socialista. No interior, em Angola, no Brasil, em Argel, em Roma, Manuel Tito de Morais esteve sempre na primeira linha. Fundador, com Piteira Santos, da emissora de resistência, “A Voz da Liberdade”, fundador do “Portugal Socialista”, fundador, com Mário Soares e Ramos da Costa, do Partido Socialista, nunca desist...

Histórico entre históricos

Muitas vezes olhei demoradamente aquela fotografia. Tirada em 19 de Abril de 1973, em Bad Münstereiffel, no célebre Congresso da Fundação que marcou a transformação da Acção Socialista Portuguesa em Partido Socialista, a foto enquadra os heroicos fundadores. Entre eles, Manuel Tito de Morais histórico entre os históricos, alma e corpo da história do PS, um dos primeiros entre alguns dos primeiros. Manuel Tito de Morais sempre deu tudo pela liberdade, sempre deu tudo pela democracia, sempre deu tudo pelo PS. Para assim dar tudo por Portugal. Foi perseguido, preso, torturado, sofreu o exílio, o afastamento de familiares e amigos. Mas nunca desistiu de lutar pelos seus ideais de sempre. Nunca desistiu de ser livre, de ver os portugueses livres, de ver Portugal pleno de liberdade. Esteve na linha da frente do Movimento de Unidade Democrática, da Resistência Republicana e Socialista, nas candidaturas dos Generais Norton de Matos e Humberto Delgado, na Frente Patriótica de Libertação naciona...

Na resistência

Grupo Argel na passagem do ano de 1965 (1965.12.31) Da esquerda para a direita: à frente – Duartina Barbosa, Silva, Ema Silva, Manuel Alegre, Isabel Alegre, ?, ?, Banza (a menina), António Barbosa, Manuel Tito de Morais. no meio – ???, o último à direita é o Manel filho. atrás, em pé – Luís Bernardino, Mário Pádua, Luísa Tito de Morais, Pedro Ramos de Almeida, Nuno (o menino), João Ruela, Teresa Ruela, Ruela, Isabel Landeiro, Jorge Landeiro. © CCTM (19)

Homenagens

Neste primeiro post no Blog comemorativo do centenário do nascimento do meu Pai, quero deixar um pensamento para com o meu Avô, Tito Augusto de Morais , que não conheci pessoalmente, mas de quem o meu Pai falava muitas vezes, lamentando nunca lhe ter sido prestada a devida homenagem, como figura da revolução de 1910 e como patriota que foi. ( nota do webmaster na revisão do Blog em 2022: " Na madrugada do dia 04 de Outubro de 1910 uma parte da sua guarnição envolveu-se na insurreição republicana e deteve o comandante e a meio da manhã entrava a bordo o 2 ºTen. Tito de Morais que fora enviado pelo comité revolucionário de Marinha para comandar o navio ." Fonte: Arquivo histórico da Biblioteca Central da Marinha )   A tomada do Cruzador São Rafael e o apontar os canhões ao Palácio das Necessidades na revolução de 5 de Outubro, o seu papel como Ministro e Deputado, o seu papel como Homem da República e da Democracia, foi membro do Partido Republicano e Governador da India. Out...

Reconhecer a mestria

Primeiro conheci-lhe a voz, depois os feitos e só após a Revolução vim a conhecê-lo pessoalmente. Trabalhei com ele no seu Gabinete quando foi Secretário de Estado do Emprego, no VI Governo Provisório e como seu Secretário Pessoal quando, no I Governo Constitucional, foi Secretário de Estado da População e Emprego. Ao ser eleito Presidente da Assembleia da República, Manuel Tito de Morais nomeou-me seu adjunto, a quem ele apelidava do seu jovem de confiança pessoal e política, com quem partilhava todas as cumplicidades de quem desempenhava tão elevado cargo e com quem trabalhava, sempre, mais de doze horas por dia. Do Tito guardo imagens que me marcaram para toda a vida e do seu exemplo fiz o meu padrão político. No que alguns reconheciam teimosia, identifiquei sempre determinação. No que outros apelidavam casmurrice, sabia-lhe eu a integridade moral, política e cívica. No que ainda outros caracterizavam de intransigência identificava-lhe rectidão, coerência e insubmissão. Manuel Tito ...

O meu Tio Manuel

Conheci pouco o meu Tio Manuel Alfredo. Privei pouco com ele. Não tenho por isso nenhuma história particular para contar. Restam-me algumas memórias de encontros esporádicos em família e um sentimento de referência ou, se quiserem, de legado familiar, que cada um de nós procura manter nas suas vidas pessoais e profissionais. E é isso que julgo poderá ser interessante partilhar. Conheci o meu Tio Manuel Alfredo tinha 12 anos. Pela mesma altura conheci a minha Tia Maria Emília, sua mulher, a maioria dos meus primos, respectivos maridos/mulheres, os filhos destes – meus primos em segundo grau, mas mais próximos de mim na idade – e a minha Tia Maria Palmira, sua irmã. O 25 de Abril de 1974 acontecera há poucos meses e tornara isso possível. Até essa altura, a minha família paterna, era quase um mistério. Ouvia falar dos meus avós, dos meus tios e dos meus primos, mas não os conhecia. Nem me lembro de fotos que me permitissem dar caras aos nomes. Mas o mistério também não era assim tão gra...

Carta ao meu velho amigo Manuel Tito de Morais

Meu caro Manuel Tito Um grupo de admiradores teus, dos muitos que foste deixando pelo caminho, vai promover uma homenagem, não tanto a ti, mas ao que tu representas. Pedem-me um depoimento. Deponho jurando dizer a verdade e só a verdade. E a verdade é que: - Te conheço há décadas, sempre igual a ti mesmo. Outros mudaram. Tu não! E essa fidelidade ao que sempre foste, faz de ti um casmurro inamovível. Um monstro de coerência com o que chamas os teus princípios e não passa de ser a tua teimosia. - Sempre te encontrei empenhado em melhorar o Mundo e o Homem. Despojado de ambições materiais. Ensopado até à saturação em ideais e projectos reformadores. De entre os resistentes que conheci até à amizade, tu foste o mais lídimo representante do pensamento utópico. Continuas a sê-lo, e a vangloriar-te disso. Imune aos utilitarismos e pragmatismos grassantes. - Como socialista és um chato. Não te resignas às contemporizações do poder, quando é nosso. Se te fizéssemos a vontade, gastávamos num áp...

Os primeiros rebuçados para adoçar o Mundo

Chegava a casa sempre ao final da tarde e sentava-se na sala a ler o jornal. Eu, com cinco ou seis anos, pulava para as costas do maple e penteava-o: risca ao lado, risca ao meio, trancinhas… tudo o que conseguia fazer no seu cabelo curto. À noite, depois do jantar, na hora do café, saltava-lhe para os joelhos, numa competição com a minha irmã mais nova. Lembro-me ainda quando ele passeava, aos sábados à noite, ao longo do comprido corredor da casa, o mesmo corredor onde os meus irmãos mais velhos subiam – braço e pé de um lado, braço e pé de outro – quando jogavam à cabra-cega, o que tanto me fascinava. Ele andava com passo lento, as mãos nos bolsos, enquanto esperava a Mãe que se arranjava para irem ao cinema. Mas de todas as lembranças, a mais forte, talvez, é a de uns senhores, que eu não conhecia, que de vez em quando iam lá a casa à noite. Entravam directamente para a sala de jantar, um após o outro, e ficavam a conversar horas a fio. Nós, os filhos, não podíamos ir para o corred...

O avô Manuel

Não vou falar do avô Manuel como político, pois há alguém com certeza muito mais habilitado do que eu para o fazer, apesar da sua vida privada nunca se poder dissociar da política. Porque o avô sempre foi um teimoso lutador naquilo em que acreditava. Era um homem determinado e empreendedor e que por detrás dos seus lindos olhos verdes-água tinha um prazer enorme em receber em sua casa toda a família e amigos. Havia sempre lugar para mais um. Tanto na sua casa de Lisboa, como na Malveira da Serra e mais tarde na Terrugem. Depois das refeições ninguém lhe tirava o seu whisky e o cigarro e a seguir por vezes desaparecia da confusão habitual dos Titos, uma família tipicamente italiana com o sangue na guelra e onde também as mulheres desta família (desculpem-me os homens) tinham um papel preponderante e, se refugiasse ora no seu escritório (em Lisboa) ou na sua oficina de engenhocas (na Terrugem) que tanto prazer lhe dava. Devido à sua personalidade vincada quis comemorar os seus 79 anos (...

Agradecimentos

Agradecemos a todos os que já nos anunciaram e nos ligaram nos Blogs e nas redes sociais. Infelizmente sem o Technorati a funcionar não é possível fazer um levantamento exaustivo, mas sabemos serem muitos. No Facebook sucedem-se as adesões. Por estarem identificados, deixamos um agradecimento especial pela divulgação a: (em actualização) Leonel Vicente do Memória Virtual , à Carminda Pinho do Forum Cidadania (link indisponível), ao Ricardo António Alves do Ferreira de Castro , ao Eduardo Graça do Absorto , ao Pedro Correia do Delito de Opinião  e às equipas do a Regra do Jogo (link indisponível) e do Cão Como TU (link indisponível) onde se integra o autor do a Barbearia do Senhor Luís . Temos igualmente presença no Twitter . © CCTM (12)