Chegava a casa sempre ao final da tarde e sentava-se na sala a ler o jornal. Eu, com cinco ou seis anos, pulava para as costas do maple e penteava-o: risca ao lado, risca ao meio, trancinhas… tudo o que conseguia fazer no seu cabelo curto. À noite, depois do jantar, na hora do café, saltava-lhe para os joelhos, numa competição com a minha irmã mais nova. Lembro-me ainda quando ele passeava, aos sábados à noite, ao longo do comprido corredor da casa, o mesmo corredor onde os meus irmãos mais velhos subiam – braço e pé de um lado, braço e pé de outro – quando jogavam à cabra-cega, o que tanto me fascinava. Ele andava com passo lento, as mãos nos bolsos, enquanto esperava a Mãe que se arranjava para irem ao cinema. Mas de todas as lembranças, a mais forte, talvez, é a de uns senhores, que eu não conhecia, que de vez em quando iam lá a casa à noite. Entravam directamente para a sala de jantar, um após o outro, e ficavam a conversar horas a fio. Nós, os filhos, não podíamos ir para o corred...