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Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2010

Testemunho sobre Manuel Tito de Morais

(Marcelo Curto) Conheci-o pessoalmente, só em 1973, numa reunião em Vigo, na Galiza, onde fui com António Macedo e Mário Cal Brandão para nos encontrarmos com o Mário Soares, o Jorge Campinos, o Francisco Ramos da Costa e o Tito de Morais.   Tudo isto, se a memória não me atraiçoa, em Julho de 73, depois de ter ido a Paris em Junho do mesmo ano, para falar com Mário Soares, que então me ofereceu a edição francesa do "Portugal Amordaçado", em versão reduzida, como agora sabemos, e com o título francês "Le Portugal Bailloné". Meses antes, em 19 de Abril de 1973, tinha sido constituído o Partido Socialista da era contemporânea e tornava-se necessário captar militantes e organizar o PS. Durante o Verão de 73, eu e outros fundadores discutimos e redigimos a versão do “interior” para a Declaração de Princípios e o Programa do Partido Socialista. Mas era necessário, antes disso, conhecer o coração da organização e propaganda do Partido que o Tito de Morais diri...

Um marco da democracia

(Lopes Cardoso) Tito de Morais é um marco da democracia portuguesa – serenamente inamovível. Recordo o Tito em Roma, o Tito em Paris, o Tito em Argel, sempre presente, sempre disponível, sempre empenhado a corpo inteiro no combate pela democracia. Recordo Tito nas alegrias e nas lutas do imediato post-25 de Abril, na batalha pela afirmação e consolidação do Partido Socialista. PS e Tito de Morais são indissociáveis. Pai fundador, sofreu as agruras do jovem PS nos caminhos difíceis do exílio, suportou os embates da ausência quando sonhava o País que Portugal haveria de ser, no meio das dificuldades reais que diariamente enfrentava. Cada um de nós nesses tempos que eram de vida dura, mas de sonho fácil, construía a imagem do seu futuro e do País que, julgava viria a ajudar a construir. Nem todos sonhávamos o mesmo, mas havia em comum a generosidade, o respeito pela convivência democrática, um gosto de “liberdade, de igualdade e fraternidade” que tínhamos aprendido a respeitar c...

CCTM - calendário provisório

Ainda sujeito a confirmação e eventuais alterações, que na altura serão comunicadas, divulga-se o calendário das comemorações do centenário de Tito de Morais que decorrerão na semana de 28 de Junho, data em que Manuel Alfredo Tito de Morais faria cem anos, e 2 de Julho. Todas estas acções estão a ser preparadas com os respectivos promotores e o patrocínio para a edição da fotobiografia, da autoria da Comissão Executiva, está assegurado pelo Partido Socialista. Voltaremos em breve a este assunto, quando já for possível apresentar os detalhes. 28 de Junho Câmara Municipal de Lisboa Descerramento do busto de Tito de Morais no jardim público adjacente à Sede Nacional do PS. (12:00 h) Museu da República e Resistência Sessão Solene. (18:00 h) Apresentação da fotobiografia de Tito de Morais. Exposição. 29 de Junho Assembleia da República Descerramento de uma lápide na casa de Lisboa onde viveu Tito de Morais. (12:00 h) Sessão solene na Assembleia da República. (18:00 h) Edição de u...

Tito de Morais, Impulsionador e Obreiro

A acção de Tito de Morais desde a sua mudança para Roma em 1966 foi de uma importância política extraordinária, pois abriu uma nova fase da actividade política do movimento Acção Socialista Portuguesa (ASP). Do período que vai dessa data até ao 25 de Abril, o trabalho de Tito de Morais repartiu-se por várias áreas, merecendo maior destaque: • A área de relações internacionais, tendo participado em conferências e congressos de prestigiados partidos europeus e organizações internacionais, desta forma denunciando a ditadura em Portugal e obtendo apoios para a luta; • No âmbito da divulgação da mensagem socialista através da criação do jornal “Portugal Socialista”, publicação da ASP e que se tornou no órgão central do Partido Socialista, meio de difusão dos valores socialistas e de luta anti-fascista; • No sector de recrutamento de militantes junto dos emigrantes portugueses e na criação e coordenação dos Núcleos ASP, depois PS, no estrangeiro, função que, como Secretário de Organi...

Prisão em Luanda

Registo manuscrito da prisão em Luanda Abril de 1961 Em 1961, com o início da guerra colonial em Angola, o clima adensou-se. Exemplo disso foi um episódio passado com sua mulher. Um dia, o chefe da secção de pessoal da empresa onde Maria Emília trabalhava entrou, abruptamente, no seu gabinete, colocou a pistola que transportava no bolso em cima da secretária e gritou: – «Tenho de comprar mais balas, porque agora não é só preciso matar os pretos, tenho também de matar os comunistas». Tito de Morais apercebeu-se que se avizinhavam tempos de represálias e temeu pela sua família, forçando-os a regressar a Portugal. Precisamente quando Maria Emília e os dois filhos chegavam a Lisboa a PIDE prendeu-o. Na cadeia de Luanda passou um dos períodos mais duros da sua vida. Foi sujeito a maus-tratos e tortura e enviado para Lisboa, sob prisão. A sua transferência para Portugal e posterior libertação, no aeroporto de Lisboa, deveu-se ao movimento de um grupo de amigos que responsabilizou...

Homem profundamente leal aos amigos

( Luís Filipe Madeira ) Conheci o Tito de Morais logo após o 25 de Abril, quando em 1974 aderi ao PS. As primeiras impressões foram ditadas pela sua figura, austera e grave, de velho combatente republicano e socialista, com o grosso bigode grisalho e "fumado". Homem profundamente leal aos amigos, foi solidário com Mário Soares em circunstâncias difíceis da vida do partido. Mas não deixou nunca de manifestar as suas reticências relativamente a certas estratégias. Relevo três situações que ilustram o que atrás fica dito: A primeira ocorreu no início de funções do primeiro governo constitucional. Na qualidade de secretários de Estado participámos ambos num Conselho de Ministros em que se discutiu a acção diplomática a levar a cabo pelo 1º Ministro no estrangeiro. Aonde devia ser a primeira visita? Cunha Rego propôs que fosse ao Brasil (ainda nas teias do poder militar). O Manuel Tito, apoiado por mim, propôs Angola. Foi o Brasil a opção com todos os equívocos (rela...