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Mensagens

A mostrar mensagens de fevereiro, 2010

Com imensa alegria

Personalidades anti-fascistas, movimentos democráticos e o Partido Comunista Português decidiram criar, numa Convenção realizada em Roma em 1963, a Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN). Por proposta de Tito de Morais a sede da FPLN seria na Argélia, país recentemente independente e solidário com os movimentos de libertação – nomeadamente das colónias portuguesas – e a luta dos povos oprimidos. Pedro Ramos de Almeida foi, entre 1964 e 1969, o representante do PCP na FPLN. Seguiu, pois, para Argel com a sua família: eu e o nosso filho Nuno, de nove meses de idade. Sem viver com o meu Pai desde os nove anos – embora passasse algumas férias com ele -, a possibilidade de podermos conviver, dele conhecer o meu filho e de estarmos na mesma luta encheu-me de alegria. Posso dizer, com verdade, que foi em Argel que o conheci melhor. E gostei muito daquele Pai que me aparecia aos 22 anos de idade. Todo ele era ternura e solidariedade, mas ao mesmo tempo um líder, um combatente sem trég...

Determinação

Com Tito de Morais, em Roma, e Ramos da Costa, em Paris, a ASP fazia-se representar nos Congressos de prestigiados partidos europeus e em conferências internacionais. As arbitrariedades da ditadura e do colonialismo eram expostas e as manifestações de solidariedade para com os socialistas e os democratas em Portugal decorriam espontaneamente.  Deputados socialistas em Itália levantam questões relacionadas com a falta dos direitos humanos em Portugal e manifestam no Parlamento solidariedade para com Mário Soares, quando esteve deportado em S. Tomé.  A ASP cria laços de fraternidade com PS de Itália, o SPD na Alemanha, os Trabalhistas na Grã-Bretanha, os Sociais-democratas na Suécia e os Socialistas em França.  A esse propósito, Mário Soares, no livro de Maria João Avilez, afirma:  “ Nunca é demais enaltecer o trabalho realizado por Francisco Ramos da Costa e por Manuel Tito de Morais: um autêntico trabalho pioneiro, de verdadeiros cabouqueiros do socialismo democrático português .” - So...

Ora venha de lá esse abraço

Eu era um rapazola, reguila, metediço, perguntador. Andava pelo meu quarto ano do Camões, com o reitor Sérvulo Correia a impor um regime espartano no liceu. E começava a questionar-me sobre o porquê da “Mocidade Portuguesa”, a Bufa, como lhe chamávamos – sem saber, aliás, muito bem porquê. No fundo era talvez por aversão às fardas, quem sabe? De política, nicles, que nessas coisas o meu pai não se metia, embora não fosse declaradamente adepto do salazarento regime. Mas tinha uns amigos que não sei se vos diga se vos conte. Foi por tal altura que, um dia, num jantar em minha casa, um deles, um homem bom e bem-disposto, chamado Máximo Couto, levou como convidado um compincha chamado Francisco Ramos da Costa. Eram uns repastos largos, com conversas prolongadas e umas anedotas mais ou menos críticas à mistura, nada de especial, mas enfim... Estava também presente um advogado, o Dr. Abranches Ferrão, igualmente participante em tais ágapes. A dada altura, eu que me ia deixando ficar, como h...

Refugiado célebre

A revista Refugiado (Refugee), do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), tinha, nos finais dos anos 80, uma rubrica dedicada aos “Refugiados Célebres”. Nomes como Einstein, Willy Brandt, Marlene Dietrich, Nureyev, entre outros, figuravam como refugiados que se destacaram e se tornaram símbolos reconhecidos mundialmente pelas suas intervenções nas áreas da ciência, tecnologia, cultura, política e defesa dos direitos humanos. Tive ocasião de colaborar, activamente, no único número da revista que saiu, em português, e de convidar Mário Soares, na altura Presidente da República, para figurar como exemplo de um refugiado célebre português que sofreu a prisão, a deportação e o exílio e que veio a representar o Portugal democrático ao mais alto nível. Quando agora quis escrever sobre o meu Pai, esta ideia veio-me à memória, porque não só continuo muito envolvida no trabalho com os refugiados e na esfera dos direitos humanos, mas também porque ele foi, de facto, um Ref...

Acção político-partidária pós 25.4

No primeiro Congresso do Partido Socialista realizado em Dezembro de 1974, Mário Soares foi eleito Secretário-geral e Tito de Morais Secretário Nacional com a pasta das Relações Internacionais. Em todos os Congressos seguintes foi eleito para a Comissão Nacional e Comissão Política e fez parte do Secretariado Nacional do Partido Socialista até 1984. Em 1986, no VI Congresso Nacional do PS, Manuel Tito de Morais foi eleito Presidente do Partido Socialista tendo posteriormente sido eleito e aclamado em 1988, no VII Congresso Nacional, como seu Presidente Honorário. Tito de Morais foi membro da Comissão Política das primeira e segunda candidaturas de Mário Soares à Presidência da República. (extraído da fotobiografia que está em construção) © CCTM (65)

Oposição

Boletim da FPLN - Maio de 1965 Notícia do assassinato de Humberto Delgado © CCTM (64)

Uma bandeira contra a ditadura

O meu Pai foi sempre, e continua a ser, uma referência muito importante na minha vida. Desde muito jovem que o acompanhei a reuniões e manifestações políticas. Lembro-me de um comício na Voz do Operário, onde ele discursou, e de eu ter andado a recolher fundos, com uma caixa em lata, o que não passou despercebido à PIDE. Depois do 25 de Abril, ao ver a minha ficha na polícia, aparece lá essa informação sobre uma perigosa criança de 12 anos. Um ano mais tarde, fui com o meu Pai ao funeral de Bento de Jesus Caraça. Tenho bem presente que levava uma bandeira, enorme, no meio de milhares de pessoas que desfilavam desafiando a ditadura. A incansável luta política, o entusiasmo e a esperança num futuro em que a liberdade e a justiça imperassem foram valores que não só nortearam a sua vida como os transmitiu aos que os o rodearam. Tinha convicções profundas, queria uma vida melhor, em que mulheres e homens tivessem as mesmas oportunidades, os mesmos direitos e deveres. Posso mesmo dizer que o...

Eleição do Presidente da Assembleia da República

Discurso de posse do Presidente da AR (1983.06.08) (...) "Srs. Deputados, nesta casa de tão nobres tradições, que nos recorda tribunos e políticos que honraram de forma ímpar a nossa história, devemos sentir o peso enorme das responsabilidades que sobre nós recaem neste momento particularmente conturbado da nossa vida política, impondo-nos que trabalhemos com firmeza e determinação na estabilização do regime democrático nascido da Revolução do 25 de Abril. E, para mim, a consolidação do regime passa, em primeiro lugar, pelo fiel cumprimento da Constituição da República. Acresce que a última revisão da Constituição, ao alargar substancialmente as competências políticas e legislativas desta Assembleia, enquanto reforçou a sua autonomia organizativa e consolidou os poderes individuais dos Srs. Deputados e dos respectivos grupos parlamentares, veio aumentar, em consequência, as suas responsabilidades na condução da vida política do País. Tanto na maioria como na minoria - que é indisp...